O Encontro – IV

Ela de tranca...

Paulo dirigiu o mais rapido que podia, para chegar a casa de Carol.

Carol estava a porta, esperando-o, com os olhos brilhantes, e o coracao aos saltos.

Paulo chegou a deliciosa cobertura de Carol, sendo recebido pelo sorriso e olhar mais deliciosos do mundo.

Se atiraram nos bracos um do outro, e nao pensaram em nada alem daquele momento. Eles estavam desidratados de saudades, e aquela era a hora de rehidratar as almas.

O despertador de Carol tocou as 6:30 da manha, e ela prontamente desligou-o, para nao incomodar Paulo.

Levantou-se em silencio e seguiu para cozinha, onde Rita preparava o cafe para o casal. Rita era especial… Sentia a atmosfera como ninguem.

– Bom dia, Ritinha! – Carol a cumprimentou como sempre.

– Bom dia, Carola! – Respondeu ela. – Cafe preto com creme? – Perguntou o de sempre…

– Sim, Ritinha, por favor. – Sentou-se a mesa do cafe, beliscando um pedaco de melao e um gomo de laranja, enquanto pegava o rascunho do artigo que terminara no dia anterior, antes de dormir.

– Nos temos visitas… – afirmou Rita, com um olhar cumplice. – Voce nao costuma ter visitas em casa… Esta parece ser especial. – “Rita sabia de tudo, essa bruxinha…”, pensou Carol.

– Pode ser que sim… – Ela respondeu com o sorriso maroto desfilando nos labios.

Pararam de falar, ao ouvirem sons vindo do corredor que dava para os quartos, esperando o som se aproximar, mas nada. O silencio fora rompido com o miado estridente de Peugeot, o gato preto e branco de Carol, que tinha como marca registrada o bom dia.

Elas cairam na gargalhada, pois haviam se esquecido daquele bandidinho sorrateiro, por minutos.

– Bon jour, Peugeot! – Rita cumprimentou o gato, que acariciava-lhe a canela e lancava-lhe o tao perfeito languido olhar de seducao felina, esperando ansioso pelo cafe da manha, que estava servido no delicado prato de porcelana azul e branco que Carol trouxera da Grecia no ultimo verao, especialmente para o gato.

– Amor da mame, venha aqui me dar um xameguinho… – Carol chamou o bichaninho, que a ignorou partindo em direcao do prato de comida. – Coisas de gato… kkkkk

As duas riam, e nao notaram a presenca de Paulo encostado no espaldar da porta por onde o gato havia entrado.

Rita ao olhar para a porta, perdeu o folego, nao conseguindo controlar a reacao de espanto ao ver o motivo da brilhante pele de Carol.

– Bom dia! – Cumprimentou Paulo, com a naturalidade de quem vivia ali, beijando Carol no topo da cabeleira ambar e dourada, e sentando-se de frente para ela, onde tinha um jogo de cafe esperando por ele. – Prazer, meu nome eh Paulo! E voce, parece ser a Ritinha da vida de Carol!

Rita desmanchou-se… Ela sentiu que estava derretendo…

– Prazer, Sr. – Cumprimentou ela com formalidade, a que foi imediatamente repreendida por ele e Carol.

– Que senhor, o que, Rita! – Brincou ele. – E Paulo mesmo!

Ela ficou vermelha, e serviu-lhe o cafe.

Carol assistia aquela cena com uma sensacao estranha. Mas ela nao queria pensar nisso agora, e voltou seus olhos para o artigo, e se dirigindo a Paulo:

– Tenho que entregar este artigo as 3 horas na editora, me desculpe nao te dar atencao agora, mas e a ultima correcao que faco antes de rodar o definitivo.

– E do que trata o artigo? – Paulo demonstrou sincera curiosidade.

– E sobre a depressao e ansidade que estao assolando as pessoas nesse final de seculo. – Respondeu ela com a caneta vermelha girando entre os dedos.

– Nao pensei que fosse algo tao serio. – Exclamou ele com verdadeira surpresa.

– Aposto que pensou que fosse sobre beleza e moda! – Brincou ela…

– Nao vou mentir, pensei mesmo!

– Tambem escrevo sobre isso, mas para essa revista, em especial, eu escrevo sobre os assuntos mais intensos, com certa base cientiica. Pois sao baseadas nas pesquisas que faco para a dissertacao da minha tese de doutorado.

– Doutorado? – Agora ele estava mais surpreso…

– Sim, sim, sobre comportamento humano no final do Seculo XX. – Ela deu um risco numa palavra, enquanto falava com ele sem tirar os olhos do artigo. – Entrego minha defesa em quatro meses, talvez antes, pois esta quase pronta. Os artigos que publico nesta revista entram como material tambem, pois sao discutidos por catedras, e enviados para a mesa julgadora.

Paulo ficou olhando para ela, pensando na coincidencia do tempo, da entrega da tese de Carol com a chegada de Adriana.

Ela olhou o relogio, 7:30, hora de ir para o computador terminar a correcao e imprimir. Levantou-se e agachou-se frente a ele, olhando-o dentro dos olhos, proximo o suficiente para sentir a respiracao dele, e disse:

– Paulo, fique a vontade, vou tomar um banho e sentar no meu escritorio para transcrever e passar este artigo para o disquete, e por fim imprimir para entrega-lo. – Finalizou com um beijo delicado e levantou-se para comecar a execucao dos trabalhos.

– Eu tambem tenho que ir. – Foi tudo o que ele conseguiu murmurar, vendo-a sumir corredor adentro.

Rita olhava para os dois com um sentimento estranho… Alguma coisa muito intensa estava acontecendo ali.

– Ela eh sempre assim, pela manha, Ritinha? – Perguntou ele como se estivesse divagando.

– Eh sim, Paulo… Todos os dias, na mesma hora, ela comeca as funcoes… – Rita tirava a louca da mesa, e continuou – uma hora para o cafe da manha, afagar o Peugeot, brincar com Anita e Bud. Corrigir artigos escritos no dia anterior… Muito metodica…

– Interessante… – Paulo levantou-se, deu um beijinho no topo da cabeca de Rita, – Obrigada pelo cafe da manha, estava delicioso!

Ela ficou vermelha. Nao esperava uma reacao daquela.

Ele foi para o quarto, e chegou a tempo de pegar Carol apos o banho, com uma toalha enrolada nos cabelos e aoutra no corpo, enquanto ela escolhia uma roupa no closet, pegando um vestido leve, de algodao floridinho, com botoes na frente.

A observa-la, ele pensou em como seria passar o resto da vida ao lado dela. Entrou no closet dela, deu-lhe um abraco e beijou-a com paixao. Ela empurrou-o, carinhosamente, e disse:

– Eu nao posso perder tempo, senao nao poderemos jantar hoje de noite no restaurante que voce me falou ontem.

Ele beijou-a mais uma vez, penteou os cabelos pretos e brilhantes para tras.

– Aguardo seu telefonema apos voce terminar seus afazeres. – Deu-lhe um beijo de despedida e foi comecar o dia.

Carol sentou-se a escrivaninha e comecou a transcrever o artigo para o computador, sem parar nenhum minuto, ate transcreve-lo todo. Imprimiu um e pediu Rita para corrigir possiveis erros de datilografia, enquanto brincava com Anita e Bud na varanda, tentando faze-los parar de apoquentar o pobre do Peugeot.

Rita entrou na varanda com o artigo devidamente revisado com lumnicollor amarela nas palavras escritas com letras trocadas, ou faltando alguma letra. O que ela fazia todos os dias.

Carol corrigiu, gravou no disquete da tese, imprimiu, envelopou e saiu para entregar o artigo.

A editora ficava apenas ha algumas quadras do predio de Carol, e ela gostava de fazer o percurso caminhando, aproveitando para curtir a paisagem da cidade, com sua arquitetura colonial mesclando com art-deco e contemporanea, de linhas retas, angulares. Uma miscelanea de epocas em poucas quadras.

Apos entregar o artigo, ela tomou um banho de mar e voltou para casa.

A tarde passou rapido, e ela so se deu conta do horario, quando o alarme tocou, indicando que era hora de ligar para Paulo, como havia combinado.

Marcaram de jantar as 7 no restaurante a beira da praia. Ela ficou de encontra-lo la, e como sempre, por uma questao de seguranca, ela chegou com cinco minutos de atraso, e avistou-o sentado numa das mesas na areia. O sol estava comecando a deitar no horizonte atras dos predios e a lua nascia dourada e cheia, parecendo estar respingada de agua do mar. O brilho era intenso, e a noite estava morna e acolhedora.

Ela sentou-se de frente para ele. Olhos nos olhos, eles se cumprimentaram…

– Voce nao vai me beijar? – Ele perguntou curioso…

Ela levantou-se e sentou-se ao lado dele, enlacando-o pelo pescoco, e beijando-o com intensidade…

– Nao achei que voce queria… – Ela brincou com ele…

– O que voce quer para beber?

– Um chopp, visto que o dia esta bem quente.

– Boa pedida, vou acompanhar.

O garcon trouxe os dois chopps, e o dono do restaurante veio falar com Paulo e Carol.

– Nos estamos com um fotografo aqui, para registrar nosso primeiro dia apos a inauguracao. Podemos tirar uma foto de voces dois?

Eles nao pensaram em nada. Apenas sorriram e concordaram. O fotografo veio ate a mesa deles e eles se posicionaram, ela encostada nele, os cabelos ouro e ambar, num trancado displicente, pendia em seu ombro. Eles sorriam felizes. Aquele momento estava registrado para sempre…

…Continua…

Obs. : Foto tirada do Pinterest

 

 

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