O encontro II

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Cont…

A atracao entre os dois foi imediata. Nao sabe se por conta do vinho, ou por conta do ambiente da festa. Mas eles engajaram numa conversa animada e despretensiosa, e o Paulo nao tentou mais beijar Carol.

Em um dado momento ele perguntou se ela gostaria de mais uma taca de vinho, em que ela concordou, e ele foi buscar no bar do cerimonial e, ao entregar a taca para Carol, esta percebeu que ele usava uma alianca de noivado.

— Mas voce nao me falou que era noivo. – afirmou ela levando a taca aos labios e olhando fundo nos olhos dele.

— Sim, sou noivo. – Respondeu calmamente

— E onde ela esta agora?

— Ela esta fazendo um intercambio na Franca, e voltara em tres meses. – pausa breve, e ele continuou… – Ficamos noivos quando ela me disse que iria para esse intercambio, quando eu achei por bem ficarmos noivos, para que ela tivesse o compromisso de voltar e continuarmos juntos.

— …sem traicao… da parte dela… Sei… – Carol falou com ironia na voz, carregando nas reticencias…

— Isso mesmo! – Respondeu Paulo, na cara dura.

Ela virou as costas e deixou ele falando sozinho, indo ele atras dela para explicar-se.

— Voce vai me deixar falando sozinho, e nao vai nem se despedir? – Carol estava sorrindo, os olhos brilhantes, e aquilo era uma tentacao para ele.

Sem parar de sorrir ela falou: – Paulo, eu ja sofri muito na minha vida. Meu coracao nao merece mais um golpe, e eu sei que se continuarmos a conversar, certamente, nos ficaremos juntos, pois eu sei a energia que esta vindo de voce, e voce sabe a energia que vem de mim.

Ele a olhou atonito, pois ela estava certa. A energia entre os dois era solida, mas ele nao se deu por vencido… – Podemos so conversar? – argumentou ele, ainda sorrindo, nao se dando por vencido pela saida dela. “Essa menina vai brincar de pescaria comigo, mas eu nao vou esmorecer…”, pensou ele.

Carol estava sabendo que estava perdendo o controle, e nao queria, definitivamente, perder o controle. Ela balancou a cabeca, dessa vez os olhos brilhavam, mas ela nao sorria, apesar da boca divertida, ainda. Entao ela achou que, realmente, nao aconteceria nada, pois os dois sabiam que ali havia um divisor de aguas.

E conversaram a noite toda, acabando por esticar ate o amanhecer num restaurante na beira da praia, onde se deram conta de que estavam famintos.

O sol estava comecando a empurrar a noite, e colorido do amanhecer foi como faisca numa poca de gasolina, quando ele viu Carol retornando do toillete feminino, segurando sua pequena bolsa, os cabelos soltos, caindo em cascata pelos ombros e um andar seguro, mas delicado e discreto. Ele levantou-se quando ela chegou, para puxar sua cadeira.

A proximidade dos dois, os perfumes, o sol nascendo, enfim, todo o ambiente e conversas trocadas, com sorrisos e gargalhadas, fez com que ambos perdessem a sensacao do juizo, e eles se beijaram. Um beijo longo. Lento e calmo. Como se fosse para segurar os ponteiros do relogio, impedindo que o tempo passasse.

Mas ele passou. Impiedoso.

Eram sete da manha, e ela tinha que ir para casa, pois, realmente, precisava dormir, para, pelo menos poder continuar aquele beijo, nem que fosse em sonho, pois sabia que ali era a primeira e ultima estacao daquele trem.

Entraram no taxi calados, tocando os dedos minimos um do outro.

Ela morava mais perto, o que fez com que o taxi a deixasse primeiro. Eles nada falaram, ela apenas sorriu, abriu a bolsa, e entregou um pequeno bilhete para ele, dobrado em origami, e saiu do carro sem olhar para tras.

Paulo seguiu viagem para casa, lendo o bilhete que ele nao lembrava de ter visto ela escrever em momento algum.

“Paulo, 
Esta noite foi inesperada e encantadora para mim.
Sentir o amanhecer sob o toque de seus labios, foi um Nirvana (rs.)
Nao te esquecerei. Voce sera uma noite inesquecivel para mim.
Com carinho, Carol.”

Mas mulher eh ardilosa, ne gente…

Paulo chegou em casa, colocou o bilhete na mesa de cabeceira e foi escovar os dentes e trocar o pijama, voltando para o quarto e se jogou na cama e caiu num sono profundo.

Ao acordar, no dia seguinte, um sabado ensolarado, ele pegou o bilhete, e reparou, que numa das dobras do origami, Carol deixara o numero do telefone dela…

Carol tambem caira num sono profundo, e acordara no dia seguinte com a sensacao de que havia sonhado, que nada daquilo havia acontecido. ‘Melhor assim!’, pensou ela, indo tomar banho e se arrumar para um churrasco na casa de uns amigos.

Enquanto estava no banho, ouviu o telefone tocar, mas tinha quase certeza que era a mae, querendo saber da Cris, ela nao se apoquentou, ela sempre deixava recados na secretaria eletronica.

Passando pelo quarto da Cris, deixou um bilhetinho para ela: “Estou no churrasco que te falei, quando acordar, ligue para mamae, ela ja deve ter superlotado a secretaria eletronica. Beijos, Carol.”

… Continua no proximo post…